A lua me entende


Hoje, à noite, enquanto estava indo em direção a calçada de boa viagem eu decidi fazer algo que não fazia a muito tempo. Deitei-me no banco do carro e procurei a lua. Quando pequena, eu adorava admirar a lua. As árvores e postes tentavam escondê-la, mas ela estava enorme e brilhava com intensidade. Era impossível não notá-la. Pela janela ela me avistou. Fazia tempo que não parávamos para conversar. Sorri para ela. Ela estava curiosa e perguntou como eu estava. Respondi que estava bem, mas ela sabia que eu não estava. Ela insistiu e eu decidi contar sobre você. Contei seu nome, sua idade, como nos conhecemos, onde você mora, qual é a cor do teu cabelo, todos detalhes. E falei o que eu sentia por você. Era bem óbvio, mas eu fiz questão de afirmá-lo, desabafando com ela, que calmamente ouvia tudo em silêncio. Contei dos meus sentimentos confusos, de que não importava a distância ou o tempo: eu continuava a gostar de ti, a sentir tua falta. E no fundo não importava o pouco sentimento que tinhas por mim. Ele, de alguma forma, me bastava. Era o suficiente e me fazia feliz.
A lua, linda que é, também te encantava. E você fazia a mesma coisa. A observava e contava sobre seus sentimentos. Sentimentos esses que não me pertenciam inteiramente. Eu era especial pra ti, mas não da forma que você era especial pra mim. E isso me partia o coração. E meu coração se partia ainda mais quando eu percebi que não consigo mais gostar de outra pessoa, que eu não consigo querer mais outra pessoa a não ser você.
Uma lágrima caiu. A princípio pensei que era minha, mas era da própria lua. Ela disse que compartilhava do mesmo sofrimento com outro alguém. Ele também estava distante e não havia tempo que curasse. Ela não me contou quem era, mas eu fiquei feliz em parte. Ao menos a lua me entende.

— 'Eu, você, a lua e o sol' por Thayna Pereira